quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

O RESGATE DOS VALORES MORAIS

O dicionário diz-nos que o termo Moral deriva do latim mores “costumes”. A moral tem por objecto o comportamento humano regido por regras e valores morais, que se encontram gravados nas nossas consciências, e não no código, comportamento resultante de decisão de vontade que torna o homem, por ser livre, responsável por sua culpa quando agir contra as regras morais (…).
Na prática social este conceito de moral entra em conflito com o desejo do indivíduo visto que estabelece sérios limites de acção de cada indivíduo. Os valores morais são conceitos que se adquire ao longo da vida “por da interacção social” com base nos ensinamentos que cada indivíduo recebe do sua da família e da comunidade em geral na qual está inserido.
O tempo vai passando e o mundo é cada vez mais dinâmico e não estático. Estamos perante um mundo em que a maior parte dos países apostaram na globalização, na tecnologia da informação e nos princípios democráticos. O lado positivo do dinamismo destes países passa necessariamente pelo respeito dos valores morais e éticos uma vez que estes valores estão inerentes à cidadania. O lado negativo surge quando ou não apostamos na evolução humana e tecnológica ou então se aceitamos ser globalizados e democratizados temos que ser prudentes e não nos deixarmos levar a ponto de não reconhecermos que os princípios morais e éticos estão acima da globalização e democracia, porque o sucesso destas evoluções todas passam antes de mais pelo respeito pelo outro e aceitar as origens de outrem e admitir que todos nós estamos de passagem. Muitas as vezes o que a perda da moralidade é simplesmente pelo de existirem alguns países, culturas e religiões que perante a outros inculcam as suas ideias violarem as suas culturas (tradição, crença, história, costume, etc.). Aí sim, encontramos alguns motivos da perda da moralidade e a ideia que nos vem é: estamos perante a perda de valores. Porquê?
Angola, o país que quase todos os países investidores estrangeiros querem conhecer e estudar o mercado, turistas e não só, não foge da realidade da perda da moralidade. Por isso é que o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, fez menção no seu discurso de Fim de Ano de 2010 “a preocupação do Resgate dos Valores Morais”. O engraçado, é que era preciso o Presidente da República referir no seu discurso sobre o resgate da moral para alguns governantes e administradores fazerem o mesmo aproveitando “fazer graxas” ao Presidente. Será que se o Presidente não referisse no seu discurso, eles já o teriam feito? Não têm o conhecimento de que neste momento Angola vive de resgates morais? Outro exemplo concreto é o da “tolerância zero”. A estes governantes, administradores e dirigentes denomino-os de preguiçosos mentais pela falta de criatividade retórica política.
Na verdade é urgente o resgate dos valores morais em Angola. Nos dias de hoje vê-se pouca aderência aos rituais angolanos (o vestuário, crença, dança, corte de cabelo, linguagem, etc., imitando a moda da Europa Ocidental, Estados Unidos de América e Brasil). Para além do que acima foi referido, farei mais uma abordagem em dois aspectos importantes onde precisamos de resgatar os valores morais. Na relação pai e filho e vice-versa, e na prática da religião. No primeiro, temos de ver o resgate dos dois lados. Do pai para o filho chama-se Resgate e Aprendizagem: o pai ensina o filho buscando as suas referências educacionais (a educação tradicional, expressões de tipo – olha meu filho, no meu tempo, no meu magistério, os teus avôs e enfim, estas sãos as referências tradicionais). Este princípio enquadra-se no conceito de educação do sociólogo francês Emille Durkhien, de que a educação é uma acção exercida de geração adulta para geração menos amadurecida (…). Do filho para o pai, chama-se Aprendizagem e Resgate: aqui o filho hoje em dia ensina o pai, por exemplo em matérias mais sofisticadas, como consultar a Internet, o uso do multibanco, criar correio electrónico, etc., mas o filho ao ensinar o pai tem que estar baptizado pelos valores básicos ou seja a cultura. No entanto, o enriquecimento entre as duas gerações torna-se uma patente obrigatória caindo assim numa intolerância educacional “professor e aluno e vice-versa”, sendo assim temos que admitir que estamos num mundo de aprendizagem total em que não há mestre absoluto. Mesmo assim eu ainda defendo a existência da disciplina de Educação Moral e Cívica no Ensino Geral e reforçar a educação religiosa em Angola. No segundo plano, entram em jogo duas palavras-chaves: o poder da globalização e a imperatividade da lei da tolerância religiosa, no caso angolano, diz-nos o nº2 do artigo 10º da Constituição da República de Angola diz-nos que o Estado reconhece e respeita as diferentes confissões religiosas, as quais são livres na sua organização e no exercício das suas actividades, desde que as mesmas se conformem à Constituição e às leis da República de Angola e o nº4 do artigo 41º acrescenta que ninguém pode ser questionado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou práticas religiosas, salvo para recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis; estamos perante o princípio da liberdade religiosa. No poder da globalização, o que determina a crença religiosa é o nível de acesso aos diversos midias que chega ao povo “económico”, por exemplo concreto, é o aparecimento recente da Igreja Mundial do Poder de Deus que atinge a população mundial do que as Igrejas tradicionais, usando o melhor meio de comunicação e caro, que é a televisão. Na tolerância religiosa, estamos perante o poder que a lei tem de meter freios ou limites as diversas religiões boas ou más porque a lei permite. O que mais me admira é o facto de que as Igrejas nunca param desde antiguidade de trabalhar sobre o resgate dos valores morais, o que de certa maneira faz com que o tema “Resgate dos Valores Morais” não seja tão recente ou novidades.
Termino com algumas dizeres do Arcebispo de Luanda e Reitor da Universidade Católica de Angola, na celebração Dominica, do dia 1 de Janeiro de 2011 “ano novo”, em Luanda “precisamos de resgatar os valores morais, e que os pais são desempenham o papel fundamental na transmissão destes valores porque os pais têm muito para dar aos filho (…) e se os filhos não seguirem estes ensinamentos, o problema é deles (…). E que a lei angolana ajuda a resolver a problemática dos resgates morais mas não resolve tudo”. É preciso também realçar que a família é o embrião da sociedade, nela encontramos virtudes, pai, mãe, filho (a), modo de vida, o ser de cada um, partilha, defeitos e a séria responsabilidade familiar cai mesmo aos pais em saberem educar os seus filhos e cabe também aos filhos em respeitarem estas responsabilidades, levarem a peito e não confundirem com o mundo globalizado.

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